Anvisa autoriza testes em humanos de vacina brasileira contra malária

Uma vacina brasileira contra a malária vivax recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes em humanos. O imunizante experimental, chamado Vivaxin, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália.
A primeira fase dos estudos clínicos será realizada em Belo Horizonte e deve envolver 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção por malária. O objetivo é avaliar a segurança da vacina e a resposta do sistema imunológico a três dosagens diferentes.
Os participantes serão divididos em dois grupos: um receberá a vacina e o outro, um placebo. O esquema prevê três doses, com intervalo de 28 dias entre as aplicações. O acompanhamento dos voluntários deve durar cerca de um ano.
A malária vivax é o tipo mais comum no Brasil, mas ainda não existe vacina aprovada no mundo especificamente contra essa forma da doença. Os imunizantes recomendados atualmente pela Organização Mundial da Saúde são direcionados à malária falciparum, outra espécie do parasita.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 118 mil casos de malária em 2025. Cerca de 85% foram do tipo vivax, e 99% das ocorrências se concentraram na região amazônica. A doença provocou 39 mortes no país no mesmo ano.
A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles. Entre os sintomas estão febre, calafrios e dor de cabeça. O parasita da malária vivax também pode permanecer adormecido no fígado e voltar a causar a doença meses depois.
Se os resultados da primeira fase forem favoráveis, a vacina poderá avançar para etapas posteriores, com mais participantes e avaliações de eficácia. A autorização para iniciar os testes não significa que o imunizante já tenha eficácia comprovada ou esteja disponível para uso.
Por Mirelly Rodrigues
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