Empregos temporários devem movimentar o comércio de Caruaru no fim do ano, diz auditor fiscal do Ministério do Trabalho

A proximidade das festas de fim de ano já começa a aquecer o mercado de trabalho em Caruaru. Com o aumento do consumo impulsionado pelo pagamento do 13º salário, empresas de diversos setores iniciam a contratação de trabalhadores temporários para reforçar as equipes e atender à demanda típica do período.
Segundo o auditor fiscal do Ministério do trabalho Francisco Reginaldo, em entrevista ao programa Manhã Cidade, desta sexta-feira (06), cerca de R$ 270 milhões deverão ser injetados na economia local por meio do pagamento do benefício aos trabalhadores formais dos setores público e privado. O valor tende a estimular o comércio, ampliar as vendas e gerar novas oportunidades de emprego.
No ano passado, aproximadamente 5,2 mil trabalhadores foram contratados temporariamente em Caruaru durante o fim de ano. A maior parte das vagas foi aberta pelo comércio, responsável por cerca de 60% das contratações. A indústria, especialmente o setor de confecções e vestuário, respondeu por aproximadamente 30%, enquanto os 10% restantes ficaram distribuídos entre segmentos como serviços, hotelaria, bares e entretenimento.
As contratações costumam começar ainda em outubro na indústria, intensificam-se em novembro no comércio e atingem o pico em dezembro, período considerado o mais movimentado para a economia local.
Direitos garantidos
O auditor destacou que os trabalhadores temporários possuem praticamente os mesmos direitos assegurados aos empregados efetivos. Entre eles estão salário equivalente para a mesma função, jornada de trabalho regular, recolhimento do FGTS, contribuição previdenciária, vale-transporte, além do pagamento proporcional de 13º salário e férias.
Os contratos têm duração média de até 90 dias e devem ser formalizados com registro em carteira de trabalho. Ao término do vínculo, o trabalhador recebe verbas proporcionais referentes ao período trabalhado.
Por outro lado, não há direito ao seguro-desemprego nem à multa de 40% sobre o FGTS ao final do contrato temporário.
Oportunidade de efetivação
Além de representar uma alternativa de renda para quem está desempregado, o trabalho temporário pode abrir portas para a permanência no mercado formal. De acordo com Francisco Reginaldo, entre 10% e 15% dos trabalhadores contratados nesse período acabam sendo efetivados pelas empresas.
Para aumentar as chances de contratação definitiva, a recomendação é investir em um bom atendimento ao cliente, conhecer bem os produtos ou serviços oferecidos pela empresa, manter uma boa relação com colegas de trabalho e cumprir corretamente as responsabilidades da função.
Formalização é obrigação legal
O auditor também chamou atenção para a necessidade de formalizar os contratos de trabalho, especialmente em uma região marcada por altos índices de informalidade.
Segundo ele, empresas que mantêm empregados sem registro podem ser autuadas pelo Ministério do Trabalho e obrigadas a regularizar a situação, além de arcar com encargos e possíveis penalidades legais.
Para os trabalhadores autônomos, a orientação é contribuir para a Previdência Social, seja como contribuinte individual ou por meio do registro como Microempreendedor Individual (MEI), garantindo proteção em casos de doença, acidente ou aposentadoria.
Perspectiva positiva para o mercado
Apesar do cenário de endividamento das famílias e dos juros elevados, a expectativa é de que as contratações temporárias continuem em alta neste fim de ano. A avaliação é que, mesmo com um possível recuo no consumo, a redução deve ser pequena, já que o período natalino tradicionalmente impulsiona as vendas.
Em Caruaru, o bom desempenho da economia e a posição estratégica do município seguem atraindo investimentos e contribuindo para a geração de empregos, de acordo com Francisco. A expectativa é que os números de contratações temporárias se mantenham próximos aos registrados em anos anteriores, reforçando a importância do fim de ano para o mercado de trabalho local.
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