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Sete dias após viagem de Patrícia Roberta: O que se sabe e o que falta descobrir sobre o assassinato


  • 30 de abril de 2021 às 20h56min

Corpo da jovem, que era de Caruaru, foi encontrado em uma área de mata em João Pessoa-PB 2 dias após o desaparecimento (Foto: Reprodução/Internet)

Há exatos sete dias Patrícia Roberta, de 22 anos, deixou a casa em que vivia em Caruaru, para visitar um amigo em João Pessoa, na Paraíba. Quatro dias após ela foi encontrada morta em uma área de mata no bairro Geisel também na capital paraibana. O crime chocou a população das duas cidades e repercutiu nacionalmente. A jovem foi sepultada na última quinta-feira (29) em Caruaru em um momento de grande comoção.

De acordo com os amigos da vítima, a atendente de telemarketing era uma pessoa doce, amável e que tinha sempre uma palavra motivacional para dar. O amigo Erik de Oliveira, de 33 anos, lembra que ela estava animada com o novo apartamento para o qual havia se mudado recentemente. “Estivemos juntos, quando fui visitá-la no apartamento e ela me mostrando as coisas, falando que estava muito feliz, é justamente essa imagem que eu quero levar dela, feliz e realizada”, desabafou o amigo.

A Viagem

Patrícia, que era caruaruense, viajou para João Pessoa na última sexta-feira (23), após ser convidada por um amigo para passar o fim de semana conhecendo a cidade. O amigo, e agora suspeito de cometer o assassinato, é o tatuador Jonathan Henrique Conceição dos Santos, de 23 anos, que conhecia a vítima há cerca de 10 anos. A informação é de que os dois teriam estudado juntos em Caruaru, durante um período em que o rapaz morou na cidade.

De acordo com a delegada Emília Ferraz, um dia antes de viajar, Patrícia confidenciou a uma prima que havia sido convidada por Jonathan para passar um fim de semana em João Pessoa, e que ficaria hospedada na casa dele. A jovem, que até então nunca havia viajado para fora do estado, chegou à Paraíba na manhã de sexta-feira (23). Jonathan havia combinado de ir buscá-la no terminal de ônibus, mas no momento acabou pedindo um carro por aplicativo para levá-la até o apartamento dele.

Registro enviado por Patrícia à Família durante viagem (Foto: Arquivo Pessoal)

O Desaparecimento

Apenas um dia após a chegada de Patrícia à João Pessoa, no sábado (24), a jovem confessou durante uma chamada de vídeo com a mãe que queria voltar para casa. Ela relatou que Jonathan a havia trancado sozinha no apartamento, alegando que sairia para resolver uma “situação”. Ainda durante a conversa, Patrícia pediu para que a mãe não comentasse sobre o assunto com o pai dela e que avisaria assim que Jonathan aparecesse.

No domingo (25), a mãe de Patrícia voltou a falar com a filha. A jovem revelou que o rapaz ainda não havia retornado, mas que ele tinha entrado em contato e avisado que estava chegando. Em uma outra mensagem, Patrícia chegou a dizer que voltaria para Caruaru com Jonathan, o que fez com que a mãe dela questionasse tal decisão, levando em consideração o comportamento do rapaz até aquele momento. Entretanto, as mensagens não chegaram mais ao WhatsApp de Patrícia.

(Imagem: Arquivo Pessoal)
(Imagem: Arquivo Pessoal)

Preocupada, a mãe da jovem, Vera Cursino, entrou em contato com Jonathan por meio de uma rede social. O rapaz respondeu somente horas depois, explicando que estava sem o aparelho celular. De acordo com as mensagens enviadas por Jonathan, Patrícia já estaria voltando para Caruaru, e que ele mesmo a havia colocado em um ônibus. Em seguida, o tatuador mudou a versão, dizendo que na verdade havia chamado um carro por aplicativo para Patrícia, para só então afirmar que quem a levara até o terminal foi um amigo dele. A contradição levantou suspeitas da mãe de Patrícia, que aguardou até a segunda-feira (26) para ir à João Pessoa com o pai de Patrícia, Paulo Roberto Gomes, onde prestaram queixa do desaparecimento.

O Corpo

Assim que a denúncia foi realizada pelos pais de Patrícia, a Polícia Civil junto a Polícia Militar da Paraíba deram início a uma busca pelo paradeiro da jovem. De início, os policiais foram até o bairro de Gramame, onde Jonathan morava, e conseguiram um depoimento crucial para o caso. De acordo com um vizinho do tatuador, houve uma movimentação suspeita no prédio durante a madrugada de terça-feira (27). A testemunha afirmou que viu Jonathan sair do local com um tonel de lixo em cima de uma carroça.

A informação levou os policiais a procurarem pelas imagens de segurança de prédios vizinhos, que acabaram revelando uma imagem de Jonathan em uma moto carregando um volume sobre o veículo, o que poderia ser o corpo de Patrícia. Com a ajuda de cães farejadores, a Polícia Civil, Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros fizeram uma busca em terrenos do bairro de Gramame e áreas vizinhas.

O corpo foi encontrado em uma área de mata próxima ao apartamento do tatuador, enrolado em um saco plástico e totalmente coberto. Uma prima reconheceu Patrícia ainda no local, a partir de uma tatuagem da vítima. Além disso, a Polícia encontrou o tonel de lixo próximo ao apartamento de Jonathan, com roupas e outros objetos que seriam de Patrícia.

Área de mata onde os policiais encontraram o corpo de Patrícia (Foto: Walter Paparazzo)

O Suspeito

Após encontrar o corpo de Patrícia, a Polícia emitiu uma ordem de prisão para Jonathan, definindo o jovem como principal suspeito do caso. Em seguida, uma busca foi realizada no apartamento do tatuador, onde foram encontrados uma espécie de altar com livros ligados ao ocultismo e uma lista com nomes de outras mulheres. Além disso, a perícia encontrou algumas fronhas com um material similar a sangue e roupas masculinas com o que parecia ser sêmen humano.

De acordo com a perita responsável pelo caso, Amanda Melo, o que mais chamou atenção ao entrar no apartamento foi o excesso de organização. “As coisas eram milimetricamente posicionadas, desde itens de alimentação à roupas dobradas, e isso chama atenção porque traz traços de uma personalidade, e a gente também trabalha com esses vestígios psicológicos para traçar o perfil do agressor”, destacou Amanda.

Na noite de terça-feira (27), a Polícia descobriu o paradeiro de Jonathan por meio de um amigo, que havia ido ao apartamento do suspeito para pegar alguns pertences. O rapaz, identificado apenas como Carlos, estava escondendo Jonathan em uma casa, no bairro da Mangabeira, onde também foi encontrada a moto supostamente utilizada para levar o corpo de Patrícia até o local onde foi encontrado.

Na quinta-feira (29), durante uma audiência de custódia, Jonathan teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela juíza Virgínia de Lima Fernandes, da Vara de Execução de Penas Alternativas de João Pessoa. Segundo a juíza, o suspeito demonstrou periculosidade latente. “Embora primário, o cotejo de suas condições pessoais levam à conclusão patente e inafastavél de que sua liberdade se configura risco concreto à ordem pública”, enfatizou Virgínia.

O suspeito está sendo indiciado por feminicídio e ocultação de cadáver e vai ficar preso na Penitenciária Flóscolo da Nobrega, após passar por um período de dez dias em quarentena, devido as medidas tomadas para evitar a disseminação da Covid-19. Durante a audiência, o Jonathan foi representado pela Defensoria Pública. Nossa equipe entrou em contato com o órgão, que informou que não faria nenhuma declaração no momento devido ao sigilo nas investigações instituído pela juíza durante a audiência.

Suspeito Jonathan Henrique no momento da prisão (Foto: Walter Paparazzo)

A Causa da Morte

A causa da morte de Patrícia ainda está sendo investigada. Após o corpo ser liberado pelo Instituto de Medicina Legal (IML) o pai de Patrícia, Paulo Roberto, explicou que a causa da morta da filha ainda está indeterminada, e que devido ao estado em que o corpo foi encontrado é preciso aguardar a realização de outros exames. Os resultados devem ser divulgados em até 30 dias.

Por Brendo Hoshington

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