Desafios da educação no Brasil: Impactos da Pandemia e deficiências estruturais

A pandemia da COVID-19 expôs e agravou diversas lacunas no sistema educacional brasileiro, gerando um déficit significativo no aprendizado dos estudantes. Os efeitos são comparáveis a uma bola de neve que cresce e prejudica cada vez mais as crianças. Embora alguns defendam a manutenção das práticas educacionais atuais, é crucial enfrentar os desafios que a educação enfrenta hoje.
Além dos desafios históricos, um estudo do UNICEF sobre pobreza infantil no Brasil revelou que a pandemia agravou o acesso à educação e a alfabetização. Entre 2019 e 2023, aumentou o percentual de crianças de 8 anos que não sabem ler e escrever. Em 2017, 8,5% das crianças de até 17 anos estavam fora da escola; esse número caiu para 7,1% em 2019, subiu para 8,8% em 2021 e caiu para 7,7% em 2023.
O professor João Antônio Carvalho, especialista em educação, destaca que, além do déficit gerado pela pandemia, outros desafios persistem na educação brasileira. “O Brasil participa a cada três anos do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), que mede a qualidade da educação em língua materna, matemática e ciências. Infelizmente, o país tem perdido posições a cada edição”, comenta.
Entre os desafios apontados pelo professor estão o incentivo à leitura, a diminuição do tempo que as crianças passam em frente às telas de celulares e a conscientização sobre o uso responsável de ferramentas de inteligência artificial. “As crianças estão se afastando da leitura e do raciocínio crítico. Agora, com as ferramentas de inteligência artificial, algumas tentam enganar os professores, gerando textos automaticamente em vez de escreverem por conta própria”, alerta João Antônio.
A pandemia agravou problemas que já existiam, como a falta de qualidade na educação básica. O professor argumenta que é necessário investir mais na educação de base e diminuir os incentivos para a educação superior, que muitas vezes são utilizados como ferramentas políticas para ganhar votos. “Precisamos direcionar os recursos para a educação básica para que as próximas gerações não enfrentem as dificuldades que enfrentamos agora”, afirma.
A questão da interpretação de texto é um exemplo gritante das deficiências educacionais. Os estudantes não têm paciência para textos mais longos devido à cultura dos vídeos curtos da internet. “As aulas online durante a pandemia trouxeram um aprendizado remoto que ainda causa impacto. Precisamos entender como essas aulas estão sendo ministradas e quais artifícios os professores estão utilizando para engajar os alunos”, comenta Renata, uma das interlocutoras na discussão.
O impacto é ainda mais severo para as crianças de famílias carentes, que muitas vezes não têm acesso a computadores ou internet. “As crianças com recursos tecnológicos, mesmo com as deficiências do ensino online, ainda tinham alguma chance. Mas e quem não tinha?”, questiona João Antônio.
Para enfrentar esses desafios, é necessário um esforço coletivo e investimento constante. “Precisamos buscar medidas urgentes para melhorar a educação. A interpretação de texto é fundamental e está cada vez mais complicada. Se não agirmos agora, estaremos perpetuando esses problemas para as futuras gerações”, conclui o professor.
Confira a entrevista completa no nosso canal no Youtube.
[instagram-feed feed=1]
