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Educação

Relatório revela retorno financeiro da Educação de Jovens e Adultos


  • 10 de setembro de 2025 às 07h35min

Pesquisa inédita mostra que EJA aumenta a renda e formaliza a ocupação de seus alunos no mercado de trabalho. (Foto: Reprodução)

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem um impacto significativo na vida profissional e financeira dos estudantes, segundo um estudo inédito divulgado nesta quarta-feira (10) no Seminário Nacional de Educação de Jovens e Adultos. A pesquisa, encomendada pelo Ministério da Educação (MEC) e pela Unesco, mostra que a modalidade não apenas ajuda a preencher lacunas educacionais, mas também impulsiona a renda e a formalização no mercado de trabalho.

O levantamento, que busca preencher uma carência de dados sobre o tema, analisou os retornos econômicos para aqueles que não concluíram os estudos na idade esperada, mas retornaram à escola. A EJA é uma modalidade da educação básica que oferece cursos mais rápidos para a obtenção dos diplomas do ensino fundamental e médio.

A pesquisa revela que a EJA é um investimento com retorno financeiro em todas as etapas, desde a alfabetização até o ensino médio. O aumento na renda varia de acordo com a faixa etária e a etapa de ensino concluída.

Alfabetização: A renda média de quem conclui a alfabetização na EJA aumenta em 16,3%. O impacto é ainda maior na faixa de 46 a 60 anos, com um aumento de mais de 23%. Além disso, a probabilidade de ter um emprego formal cresce em 7,7 pontos percentuais.

Ensino Fundamental: Para quem termina essa etapa, a renda média sobe 4,6%, com um salto de 14,9% no grupo de 26 a 35 anos. A chance de ter um emprego formal também cresce 6,6 pontos percentuais.

Ensino Médio: A conclusão da EJA nesta etapa eleva a renda mensal em 6%, com o maior aumento para a faixa etária de 26 a 35 anos (10%). A probabilidade de ter um emprego formal aumenta 9,4 pontos percentuais.

A pesquisa aponta para o vasto público potencial da EJA. Apesar dos avanços no acesso à educação nas últimas décadas, as altas taxas de evasão e reprovação resultaram em um grande contingente de jovens e adultos que não concluíram a educação básica. Em 2023, por exemplo, 35% dos jovens brasileiros ainda não tinham terminado o ensino médio até os 20 anos. Para frequentar a EJA no ensino fundamental, a idade mínima é de 15 anos, enquanto para o ensino médio, é de 18 anos.

A pesquisa também destaca a importância do Pacto Nacional de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos, lançado pelo MEC no ano passado. A iniciativa prevê a criação de 3,3 milhões de novas vagas na EJA e um investimento de R$ 4 bilhões em quatro anos. Atualmente, o Brasil tem 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não são alfabetizadas, o que corresponde a 5,3% da população nessa faixa etária, segundo dados do IBGE.


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