Pernambuco recebe antídoto raro para tratar intoxicações por metanol

Diante do aumento de casos suspeitos de intoxicação por metanol no país, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição de um lote emergencial com 2.500 ampolas do antídoto fomepizol, utilizado no tratamento de pacientes que ingeriram bebidas alcoólicas adulteradas. Pernambuco recebeu 68 unidades do medicamento, que já foram encaminhadas para reforçar o atendimento em situações de emergência toxicológica.
A aquisição do fomepizol é inédita no Brasil e foi realizada por meio do Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O remédio, considerado raro devido à baixa produção mundial, foi comprado de uma subsidiária de uma empresa japonesa apenas oito dias após o acionamento do fundo pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Segundo a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão, o objetivo é garantir que todos os estados tenham acesso tanto ao etanol farmacêutico — já disponível nas unidades da federação — quanto ao fomepizol, ampliando as opções de tratamento. Do total adquirido, mil ampolas permanecerão no estoque estratégico do Ministério, enquanto 1.500 foram distribuídas proporcionalmente à população de cada estado, com base nos dados do último censo do IBGE.
O fomepizol atua bloqueando a metabolização do metanol em ácido fórmico, substância responsável pela acidose metabólica, quadro grave que pode levar à morte. Por sua eficácia e segurança, o medicamento é considerado uma alternativa importante ao etanol farmacêutico, já utilizado na rede pública.
Além da compra internacional, o Ministério da Saúde também receberá nos próximos dias uma doação de 3.800 ampolas de etanol farmacêutico da empresa brasileira Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos. Esse lote se somará às 4.300 unidades já entregues aos estoques do SUS por meio dos hospitais universitários federais, em parceria com a Ebserh.
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