Intoxicação por metanol: 30 dias após alerta, Brasil soma 58 casos e 15 mortes

Passado um mês desde os primeiros alertas, a crise de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas resultou em 58 casos confirmados e 15 mortes no Brasil, sendo a maioria registrada em São Paulo, Paraná e Pernambuco. A provável origem do problema foi identificada como a falsificação de bebidas destiladas que, no lugar de etanol, usaram álcool combustível que estava, por sua vez, contaminado com metanol.
A resposta das instituições públicas começou com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) de Campinas (SP) e evoluiu para uma atuação integrada. Em 7 de outubro, o Governo Federal criou um comitê de crise, anunciou a compra de um novo antídoto (fomepizol) e enviou etanol farmacêutico para hospitais polo, que foram mobilizados até em regiões sem casos confirmados.
As investigações da Polícia Civil de São Paulo conseguiram, após 21 dias do primeiro alerta, fechar o “primeiro ciclo” da contaminação, encontrando a distribuidora que envasava as bebidas falsificadas e, em seguida, os dois postos de onde saiu o combustível com metanol. Enquanto isso, laboratórios estaduais e centros de excelência, como o Laboratório da USP, adotaram novos protocolos para acelerar a identificação das bebidas adulteradas. Em paralelo, a UFPE desenvolveu um “nariz eletrônico” para detectar metanol rapidamente.
O último boletim, divulgado em 24 de outubro, apontou que 50 casos e nove mortes seguiam em investigação. No âmbito político, o tema gerou impacto, com a abertura de uma CPI na capital paulista e a previsão de votação, na Câmara, de um projeto de lei que torna a adulteração de alimentos e bebidas um crime hediondo.
[instagram-feed feed=1]
