Alepe discute compra de vacinas por consórcio de prefeituras

Alegando fragilidade no Plano Nacional de Imunização (PNI) e lentidão por parte do Governo Federal para adquirir e distribuir vacinas contra o novo coronavírus, a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) decidiu criar um consórcio para realizar a compra direta dos imunizantes. A partir de uma solicitação do deputado Aluísio Lessa (PSB), as Comissões de Saúde, de Administração Pública e de Negócios Municipais realizaram, nesta terça (9), uma discussão conjunta sobre a medida. O enfrentamento à pandemia em Pernambuco e sugestões para conscientizar a população foram outros assuntos tratados no encontro.
A presidente do colegiado de Negócios Municipais, deputada Simone Santana (PSB), conduziu a reunião. Ela destacou que o Brasil vive os momentos mais difíceis da pandemia: “Chegamos à marca de 95% de leitos de UTI ocupados em Pernambuco”, lamentou. Para a parlamentar, a falta de coordenação nacional, o negacionismo de membros do Governo Federal, incluindo o presidente, e o surgimento de variantes do vírus provocaram a situação. “Até agora, apenas 3,5% da população brasileira foi vacinada. Devido a essa morosidade, é compreensível que Estados e municípios busquem imunizantes por outros caminhos”, ressaltou.
Presidente da Comissão de Saúde, a deputada Roberta Arraes (PP) afirmou que são necessárias ações mais severas para reduzir o espalhamento do vírus. “Não podemos ficar de braços cruzados diante de um problema tão sério. Eu observo que o governador Paulo Câmara tem tomado medidas duras, mas muitos municípios não têm seguido as normas. Enquanto não houver vacinação em massa, estamos expostos e muitas vidas ainda serão perdidas”, avaliou. A parlamentar também sugeriu que a Alepe realize uma campanha para conscientizar a população sobre o problema.
O número de casos de Covid-19 vem aumentando de forma progressiva em Pernambuco e a estimativa é de que, atualmente, 57% dos doentes estejam contaminados com variantes do coronavírus. Foi o que informou o representante da Secretaria de Saúde, Humberto Antunes. De acordo com ele, o Poder Executivo tem investido no aporte de leitos de UTI e em protocolos clínicos modernos, atuando em conjunto com as prefeituras. “O vírus tem uma alta capacidade de mutação e, quanto mais a vacina demorar, mais variantes vão surgir”, advertiu.
O médico explicou que a pasta trabalha com três estratégias: a prevenção, difundindo o uso de máscara, a higiene e o distanciamento social; a abertura de novos leitos; e a imunização, que, segundo ele, é “a providência fundamental e definitiva para combater o vírus”. Para Antunes, a falta de planejamento adequado do Governo Federal fez com que a pandemia chegasse ao estágio atual. “Pernambuco tem tudo para realizar uma campanha exitosa, se houver vacina. Acredito que o consórcio seja mais um caminho nessa busca”, pontuou.
O Governo do Estado vai distribuir 1,5 milhão de máscaras às pessoas mais pobres e sugeriu que os municípios adotem a mesma providência. “Existem pessoas que simplesmente não têm dinheiro para comprar esse item de proteção”, argumentou.
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