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Trabalho

Bar que atuava como prostíbulo em Barreiros é incluído na lista de trabalho escravo


  • 7 de outubro de 2025 às 08h33min

Ministério do Trabalho identificou exploração de mulheres em condições degradantes, com coação, retenção salarial e ausência de vínculo formal. (Foto: Reprodução)

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu, nessa segunda-feira (06), o Bar da Mamãe, localizado em Barreiros, na chamada “Lista Suja” do trabalho semelhante à escravidão. A medida decorre de uma fiscalização iniciada em outubro de 2024, que revelou práticas abusivas contra mulheres que atuavam no local, também utilizado como prostíbulo.

Segundo o relatório da inspeção, conduzida por auditores fiscais com apoio do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Rodoviária Federal, as trabalhadoras eram submetidas a condições degradantes, como ausência de registro em carteira, cobrança indevida por serviços básicos e restrição da liberdade de locomoção.

Entre as irregularidades apontadas estão multas aplicadas às profissionais por deixarem o estabelecimento em determinados dias, retenção das chaves do local pela proprietária e exigência de pagamento por transporte, alimentação e produtos de higiene. Além disso, cada programa realizado gerava um desconto de R$ 30 sob a justificativa de “aluguel do quarto”, configurando retenção salarial indevida.

O bar funcionava diariamente das 8h às 21h, atraindo clientes de municípios vizinhos como Tamandaré e Maragogi, especialmente em períodos de pagamento. Uma das estratégias identificadas era o envio de fotos das trabalhadoras aos clientes, prática considerada pelo MTE como forma de renovação forçada e contínua da exploração.

O documento também aponta que muitas mulheres foram levadas ao local por meio de promessas enganosas e, ao chegarem, encontravam-se em situação de vulnerabilidade, com dívidas impostas pela própria empregadora, que controlava transporte e alojamento.

Em outubro do ano passado, a proprietária foi notificada para encerrar as atividades e realizar o pagamento das verbas rescisórias às trabalhadoras. Até o momento, segundo o MTE, nenhuma medida foi cumprida, o que motivou a inclusão do estabelecimento na lista oficial de empregadores que submetem pessoas a condições análogas à escravidão.


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