Brasil em alerta: aumento de casos de sarampo nas Américas gera preocupação

O aumento expressivo de casos de sarampo no continente americano traz uma preocupação para o Brasil, embora os três casos confirmados no território nacional até agora não comprometam o certificado de país livre da doença, reconquistado recentemente.
Segundo Marilda Siqueira, chefe de laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e referência regional em sarampo pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a recertificação só seria perdida caso houvesse cadeias de transmissão do vírus do mesmo genótipo durante um período de um ano.
Até o momento, o Ministério da Saúde relata ocorrências esporádicas, sendo dois casos registrados em bebês no Rio de Janeiro que ainda não estavam na faixa etária de vacinação e outro em Brasília, em uma mulher que possivelmente foi infectada durante viagem ao exterior. Protocolos rígidos de notificação, monitoramento e vacinação reforçada são aplicados para impedir a disseminação do vírus.
Relatórios da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indicam que 507 casos foram confirmados em países das Américas em 2025, superando o total do ano anterior. O maior número foi registrado nos Estados Unidos, com 301 casos e duas mortes, seguido por Canadá, México e Argentina. A Opas avalia que o risco de propagação é elevado, principalmente devido à baixa cobertura vacinal em algumas regiões.
Marilda Siqueira ressalta que a vacina é a principal ferramenta para conter o avanço da doença, evitando surtos como o de 2017, quando casos provenientes da Venezuela atingiram o Brasil, agravados pela insuficiente cobertura vacinal da época. “Embora casos importados sejam esperados, a batalha é para evitar cadeias de transmissão contínua, e a vacinação é o nosso grande aliado”, conclui.
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