Caruaru lança projeto “Na Rota da Cultura” para levar ações culturais às comunidades mais afastadas

Caruaru inicia uma nova etapa na política cultural com o lançamento do projeto “Na Rota da Cultura”, iniciativa da Fundação de Cultura que pretende levar programação artística e formativa para regiões que tradicionalmente recebem menos ações. A proposta foi detalhada pela gerente de projetos especiais da Fundação de Cultura de Caruaru, Jo Barbosa, durante entrevista ao Cidade Entrevista, do Manhã Cidade, nesta sexta-feira (25).
Segundo Jo, o projeto nasce de uma preocupação antiga da gestão municipal com a descentralização da cultura. Em reuniões com o prefeito Rodrigo Pinheiro e o presidente da Fundação de Cultura, Erlon Cavalcanti, surgia sempre a mesma pergunta: “E quem mora longe? Como chega a cultura até essas pessoas?”.
A partir da PNAB e da aprovação do Conselho Municipal de Política Cultural, a Fundação estruturou um programa contínuo, pensado para circular pelos territórios e garantir que a cultura seja, de fato, um direito acessível a todos.
A fase inicial do projeto consiste na exibição de documentários sobre os 19 Patrimônios Vivos de Caruaru — figuras históricas da cultura local, reconhecidas por sua contribuição e longevidade artística. Após cada exibição, o público terá a oportunidade de conversar diretamente com esses mestres.
“Imagina uma comunidade inteira conversando com Dona Terezinha Gonzaga ou com Onildo Almeida, que tem 98 anos e continua ativo. É uma experiência que aproxima, emociona e educa”, afirmou Jo.
A estrutura contará com telão, projetor, cadeiras e uma van nova, adquirida por meio da PNAB, que fará o deslocamento da equipe e dos artistas. A programação será divulgada com antecedência por meio das escolas, líderes comunitários e carros de som — recurso muito utilizado nas áreas rurais.
Mapeamento das localidades e logística integrada
As primeiras dez localidades estão sendo definidas em parceria com as Secretarias de Educação e Desenvolvimento Rural, que ajudam a identificar espaços adequados, garantir energia elétrica, cadeiras extras e até banheiros quando necessário.
Jo explica que o projeto não se limita às escolas: “Vamos ocupar também outros espaços comunitários. O importante é que o local tenha condições de receber o público e a estrutura”.
A expectativa é reunir entre 100 e 150 pessoas por ação, somando estudantes, moradores e famílias.
Intercâmbio cultural entre comunidades
Um dos diferenciais do projeto é a ideia de intercâmbio cultural. Em vez de levar ao bairro apenas artistas da própria região, a Fundação quer promover encontros entre diferentes tradições.
“Se uma comunidade tem banda de pífano, podemos levar o documentário de outro Patrimônio Vivo, de outra área, para que haja troca. A intenção é ampliar horizontes”, explicou Jo.
Antes mesmo das exibições, a equipe fará uma rota especial no Alto do Moura, onde cinco Patrimônios Vivos trabalham. A ideia é que eles conheçam os espaços uns dos outros, fortalecendo vínculos e criando novas possibilidades de atuação conjunta.
Oficinas e pequenas apresentações vão complementar a programação
Após a etapa dos documentários, o projeto deve incluir oficinas de pintura, barro, cordel, xilogravura, além de pequenas apresentações como trios de forró e bandas de pífano. A proposta não é montar grandes estruturas nem replicar o São João na Roça.
“É um projeto comunitário, visceral, feito para aproximar e formar público. Não é para grandes shows”, reforçou Jo.
As oficinas terão limite de até 30 participantes, para garantir qualidade e acompanhamento adequado.
Impacto já observado em outras ações culturais
Durante a entrevista, Jo também comentou a revitalização das escadarias do Monte Bom Jesus, grafitadas pelo artista Magrelo. A intervenção já impactou o turismo e a economia local, com aumento significativo nas vendas das tapioqueiras e comerciantes da região. “Quando a ação é pensada com boa intenção e diálogo, ela funciona. E não precisa ser nada megalomaníaco”, destacou.
Confira a entrevista na íntegra no nosso canal no Youtube:
[instagram-feed feed=1]
