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Entrevista

Caruaru lança projeto “Na Rota da Cultura” para levar ações culturais às comunidades mais afastadas


  • 25 de setembro de 2026 às 10h35min

Em entrevista ao Cidade Entrevista, do Manhã Cidade, a gerente de Projetos Especiais da Fundação de Cultura de Caruaru, Jo Barbosa detalha iniciativa que promete descentralizar atividades culturais e aproximar Patrimônios Vivos da população. (Foto: Reportagem Cidade 99.7)

Caruaru inicia uma nova etapa na política cultural com o lançamento do projeto “Na Rota da Cultura”, iniciativa da Fundação de Cultura que pretende levar programação artística e formativa para regiões que tradicionalmente recebem menos ações. A proposta foi detalhada pela gerente de projetos especiais da Fundação de Cultura de Caruaru, Jo Barbosa, durante entrevista ao Cidade Entrevista, do Manhã Cidade, nesta sexta-feira (25).

Segundo Jo, o projeto nasce de uma preocupação antiga da gestão municipal com a descentralização da cultura. Em reuniões com o prefeito Rodrigo Pinheiro e o presidente da Fundação de Cultura, Erlon Cavalcanti, surgia sempre a mesma pergunta: “E quem mora longe? Como chega a cultura até essas pessoas?”.

A partir da PNAB e da aprovação do Conselho Municipal de Política Cultural, a Fundação estruturou um programa contínuo, pensado para circular pelos territórios e garantir que a cultura seja, de fato, um direito acessível a todos.

A fase inicial do projeto consiste na exibição de documentários sobre os 19 Patrimônios Vivos de Caruaru — figuras históricas da cultura local, reconhecidas por sua contribuição e longevidade artística. Após cada exibição, o público terá a oportunidade de conversar diretamente com esses mestres.

“Imagina uma comunidade inteira conversando com Dona Terezinha Gonzaga ou com Onildo Almeida, que tem 98 anos e continua ativo. É uma experiência que aproxima, emociona e educa”, afirmou Jo.

A estrutura contará com telão, projetor, cadeiras e uma van nova, adquirida por meio da PNAB, que fará o deslocamento da equipe e dos artistas. A programação será divulgada com antecedência por meio das escolas, líderes comunitários e carros de som — recurso muito utilizado nas áreas rurais.

Mapeamento das localidades e logística integrada

As primeiras dez localidades estão sendo definidas em parceria com as Secretarias de Educação e Desenvolvimento Rural, que ajudam a identificar espaços adequados, garantir energia elétrica, cadeiras extras e até banheiros quando necessário.

Jo explica que o projeto não se limita às escolas: “Vamos ocupar também outros espaços comunitários. O importante é que o local tenha condições de receber o público e a estrutura”.

A expectativa é reunir entre 100 e 150 pessoas por ação, somando estudantes, moradores e famílias.

Intercâmbio cultural entre comunidades

Um dos diferenciais do projeto é a ideia de intercâmbio cultural. Em vez de levar ao bairro apenas artistas da própria região, a Fundação quer promover encontros entre diferentes tradições.

“Se uma comunidade tem banda de pífano, podemos levar o documentário de outro Patrimônio Vivo, de outra área, para que haja troca. A intenção é ampliar horizontes”, explicou Jo.

Antes mesmo das exibições, a equipe fará uma rota especial no Alto do Moura, onde cinco Patrimônios Vivos trabalham. A ideia é que eles conheçam os espaços uns dos outros, fortalecendo vínculos e criando novas possibilidades de atuação conjunta.

Oficinas e pequenas apresentações vão complementar a programação

Após a etapa dos documentários, o projeto deve incluir oficinas de pintura, barro, cordel, xilogravura, além de pequenas apresentações como trios de forró e bandas de pífano. A proposta não é montar grandes estruturas nem replicar o São João na Roça.

“É um projeto comunitário, visceral, feito para aproximar e formar público. Não é para grandes shows”, reforçou Jo.

As oficinas terão limite de até 30 participantes, para garantir qualidade e acompanhamento adequado.

Impacto já observado em outras ações culturais

Durante a entrevista, Jo também comentou a revitalização das escadarias do Monte Bom Jesus, grafitadas pelo artista Magrelo. A intervenção já impactou o turismo e a economia local, com aumento significativo nas vendas das tapioqueiras e comerciantes da região. “Quando a ação é pensada com boa intenção e diálogo, ela funciona. E não precisa ser nada megalomaníaco”, destacou.

Confira a entrevista na íntegra no nosso canal no Youtube:


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