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EsporteGeral

Clubes das Séries A e B divulgam nota repudiando termos da Libra


  • 7 de maio de 2022 às 08h42min

Após uma reunião, o bloco formulou e publicou uma carta repudiando os termos estabelecidos pela Liga
(Imagem: Lucas Figueiredo/ CBF)

Clubes das séries A e B do campeonato brasileiro que não assinaram a Libra se reuniram, nessa sexta-feira (06), para conversarem sobre a nova liga. Após a reunião, o bloco formulou e publicou uma carta repudiando os termos estabelecidos pela Liga. A principal questão está no fato de que essas equipes não aceitam os percentuais de divisão de receitas estipulados para adesão à proposta criada pelo Flamengo e por clubes paulistas.

O Cuiabá e o Fortaleza foram os primeiros a compartilhar o texto, por meio das redes sociais. Na sequência, outros clubes envolvidos seguiram o mesmo caminho. No texto em questão, mencionam o encontro e destacam que este teve como objetivo discutir a contraproposta a ser apresentada para a criação da Liga. Entre os assuntos debatidos, o mais relevante foi a divisão de receitas de forma que contribua de fato para o aprimoramento da competição, tornando menos desiguais as condições de competitividade atuais.

Com a criação da Libra a divisão das receitas ficaria com 40% divididos de forma igualitária, 30% variável por performance e 30% variável por engajamento e audiência. As equipes que não concordaram com a nova liga ainda sugeriram uma divisão diferente com 50% repartidos de forma igualitária, 25% por performance e 25% por engajamento.

Os critérios sobre o engajamento, por sua vez, ainda estão sendo discutidos – conforme mencionado na carta divulgada pelos clubes.

Além disso, os clubes também buscam garantir que a diferença entre os valores recebidos nessas variáveis não seja muito grande. A proposta do bloco é estabelecer uma máxima diferença entre o que mais ganha e o que menos ganha. Nos bastidores, também discute-se o pedido de 20% das receitas para a Série B do Brasileiro.

Confira a nota:

A maioria dos clubes de futebol integrantes das séries A e B do Campeonato Brasileiro segue em seu esforço pela criação da Liga de Clubes e, com esse objetivo, se reuniu na tarde desta sexta-feira para discutir os critérios que nortearão, em bases sustentáveis e justas, o equilíbrio de forças no futuro.

Entre os assuntos debatidos, o mais relevante foi a divisão de receitas de forma que contribua de fato para o aprimoramento da competição, tornando menos desiguais as condições de competitividade atuais.

Os termos aceitos em São Paulo por outros 6 clubes perpetuam o abismo que existe hoje, ao manterem a parte igualitária das receitas em 40%, enquanto nos campeonatos mais bem sucedidos este percentual pode chegar a 68% somando todos os direitos domésticos, internacionais e de marketing, caso da Premier League, por exemplo.

Não é aceitável que haja clubes ganhando 6 vezes mais do que outros, enquanto nas melhores Ligas do mundo essa diferença não ultrapassa 3,5 vezes.

Outro ponto a ser aprimorado é a adoção de premissas que não privilegiem pilares de difícil aferição, em especial ao que tange a engajamento. Tais critérios, na visão da maioria dos clubes que participaram da reunião, apenas perpetuam a posição de superioridade de alguns sobre outros, não dando a oportunidade de maior equilíbrio dos campeonatos.

A criação da Liga entre os 40 clubes será a oportunidade de se mudar efetivamente o futebol brasileiro e esse objetivo não pode se subordinar a interesses individuais de alguns, petrificados há décadas na superioridade de recursos. Sabemos que não seria justo buscar igualdade total de receitas, mas sim equanimidade e melhor distribuição.

O futebol brasileiro não avançará sem que haja um consenso entre os 40 clubes das séries A e B de que a justa distribuição de receitas gerará maiores oportunidades na disputa.

Por Lucas Medeiros

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