Congresso discute uso de cannabis medicinal para tratamento da dor

(Imagem: Reprodução/ Internet)
O uso de cannabis medicinal para tratamento da dor em pacientes com doenças reumáticas tem sido alvo de discussão no Congresso Brasileiro de Reumatologia, realizado em Goiânia no último fim de semana. Médicos e especialistas se reuniram para explorar os benefícios e desafios da utilização da substância no campo da reumatologia.
Segundo a médica reumatologista Selma da Costa Silva Merenlender, da Comissão de Mídias da Sociedade Brasileira de Reumatologia, a cannabis é uma planta utilizada pelo ser humano há milhares de anos. Dela é extraído o canabidiol (CBD), o principal componente com indicação medicinal. É importante destacar que o CBD não causa dependência, o que está relacionado aos efeitos psicoativos do THC, encontrado na maconha, mas não presente no CBD.
A cannabis medicinal tem sido recomendada por médicos e cientistas para tratar diversas condições, incluindo a epilepsia refratária, que apresenta estudos mais avançados e resultados promissores. No Brasil, a substância foi inicialmente aprovada para o tratamento de epilepsia refratária em crianças. No entanto, evidências científicas crescentes sugerem seu potencial em condições neurológicas, reumatológicas, imunológicas, controle de peso, ansiedade e depressão.
A reumatologia se concentra no uso da cannabis medicinal para tratar síndromes dolorosas crônicas, como fibromialgia, além de abordar a dor relacionada a condições como artrite reumatoide, espondilite anquilosante e psoríase. O tratamento não cura a doença, mas ajuda a aliviar a dor e a melhorar a qualidade de vida do paciente, além de equilibrar o organismo.
Embora muitos pacientes relatem melhorias significativas na qualidade de vida com o uso da cannabis medicinal, a questão continua a ser polêmica devido à falta de estudos científicos abrangentes e aos riscos potenciais associados. Especificamente no tratamento da dor, a falta de evidências científicas é um ponto sensível.
O uso de cannabis medicinal no Brasil requer prescrição médica. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu o canabidiol na lista de substâncias controladas em 2015. Isso implica que empresas interessadas em produzir ou vender produtos com canabidiol precisam de registro na Anvisa e que os pacientes precisam de receita médica para adquirir o produto. Atualmente, o acesso ao canabidiol no Brasil ocorre por meio de farmácias, associações ou importação, e ainda não existe um fornecimento gratuito de produtos à base de canabidiol pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Projetos estão em tramitação no Congresso Nacional com o objetivo de garantir o acesso dessas terapias ao SUS.
Por Lucas Medeiros
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