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Crianças

COP30: maioria dos países inclui direitos de crianças e jovens em metas climáticas


  • 3 de novembro de 2025 às 14h21min

Relatório da UNFCCC mostra avanço na inclusão da infância e juventude nas NDCs; UNICEF alerta para impactos desproporcionais da crise climática. (Foto: Reprodução/ Pixabay)

Às vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), um novo relatório da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) revela que 88% dos países que já enviaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) incorporaram compromissos voltados aos direitos de crianças e jovens. Em comparação com versões anteriores, o número representa um salto significativo — antes, apenas 61% dos documentos mencionavam esse público.

As NDCs são os principais instrumentos do Acordo de Paris para limitar o aquecimento global, e o relatório mostra que, dos 64 países que já atualizaram suas metas, 56 incluíram ações específicas voltadas à infância e juventude. Entre eles:

  • 79% priorizam o engajamento e empoderamento de crianças e jovens na ação climática;
  • 77% propõem medidas concretas para envolvê-los na implementação de políticas públicas, como capacitações, apoio a iniciativas juvenis e coleta de dados por faixa etária;
  • 57% afirmam ter incluído crianças e jovens na elaboração das próprias NDCs.

“Esse avanço é essencial, pois reconhece o papel transformador da juventude e reforça que não há justiça climática sem escuta ativa e participação efetiva de meninas e meninos”, afirma Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do UNICEF Brasil.

Infância em risco climático

Dados do UNICEF apontam que quase 1 bilhão de crianças vivem em áreas altamente vulneráveis a eventos extremos como secas, enchentes e ondas de calor. No Brasil, 40 milhões de crianças e adolescentes — cerca de 60% da população nessa faixa etária — estão expostos a múltiplos riscos ambientais.

Em 2024, crises climáticas afetaram a educação de cerca de 250 milhões de crianças em 85 países. No Brasil, 1,17 milhão de estudantes ficaram sem aula devido a enchentes e secas. Além disso, 33 milhões de crianças enfrentam hoje o dobro de dias extremamente quentes por ano em comparação às gerações anteriores.


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