Covid-19 deixou 284 mil crianças sem pais ou cuidadores no Brasil

Pesquisadores brasileiros, americanos e ingleses lançaram um estudo que calcula o número de vítimas indiretas da Covid-19 no Brasil, revelando que, além das mais de 700 mil mortes diretos, 284 mil crianças e adolescentes perderam um dos pais ou outro familiar cuidador essencial apenas nos anos de 2020 e 2021. Desse total, 149 mil se tornaram órfãos de pai, mãe ou ambos, sendo que 70,5% perderam o pai.
A análise destaca que as vítimas fatais, muitas vezes idosas, exerciam papéis cruciais na estrutura familiar. Segundo o estudo, as maiores taxas de orfandade por Covid-19 no país foram registradas no Mato Grosso, Rondônia e Mato Grosso do Sul. A pesquisa aponta que, em geral, os problemas financeiros são a consequência mais comum da orfandade, mas promotorias como a de Campinas (SP) identificaram violações de direitos graves, como separação de irmãos e risco de exploração.
A validade das estimativas foi reforçada pelo cruzamento de dados de registros civis, e os autores reforçam a urgência de fortalecer programas sociais para atender esse novo e vulnerável grupo de crianças e adolescentes.
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