Defesa de sobrevivente cobra apuração sobre possível falha no resgate de naufrágio em Ipojuca

Dois meses após o naufrágio que resultou na morte da advogada Maria Eduarda Medeiros, de 38 anos, a defesa do urologista Seráfico Júnior, que estava com ela na embarcação, solicitou à Polícia Civil de Pernambuco que investigue uma possível omissão de socorro por parte da Secretaria de Defesa Social (SDS). A suspeita é de que a lentidão na resposta das autoridades tenha contribuído para o desfecho trágico.
O Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods) teria recebido o primeiro alerta sobre um barco à deriva às 17h08 do dia do acidente. A confirmação da embarcação em risco, a cerca de 1 km da costa, ocorreu às 17h20 — antes do naufrágio. No entanto, a comunicação oficial à Capitania dos Portos só foi feita às 18h56, mais de uma hora depois.
A defesa questiona por que os helicópteros da SDS não foram acionados para sobrevoar a área e prestar apoio imediato. A Polícia Civil já iniciou diligências para apurar se houve falha operacional ou negligência no acionamento das equipes de resgate.
O acidente ocorreu no fim de junho, quando Maria Eduarda e Seráfico saíram de um condomínio na praia de Muro Alto, em Ipojuca, a bordo de um barco à vela, indicado para águas rasas. Durante uma manobra na Boca da Barra do Rio Ipojuca, o veleiro foi atingido por uma forte correnteza e arrastado para o mar aberto.
De acordo com o advogado Ademar Rigueira, o casal nadou por cerca de duas horas até ser lançado contra rochas pelas ondas. Foi nesse momento que Maria Eduarda teria perdido a consciência e, posteriormente, morrido. O laudo do Instituto Médico Legal afastou a hipótese de homicídio, reforçando a tese de acidente. O caso segue sob investigação, enquanto familiares e amigos da vítima continuam cobrando respostas e responsabilização pelas circunstâncias que cercaram o naufrágio.
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