Diagnósticos de câncer em adultos jovens crescem quase 300% no SUS em uma década

O número de casos de câncer entre adultos jovens no Brasil disparou nos últimos anos. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que, entre 2013 e 2024, os diagnósticos de pessoas com até 50 anos aumentaram 284%, passando de 45,5 mil para 174,9 mil registros. O crescimento acompanha uma tendência mundial e levanta preocupações sobre o preparo do sistema público para lidar com esse novo perfil de pacientes.
Os tipos de câncer que mais avançaram nessa faixa etária são os de mama, colorretal e fígado. O câncer de mama lidera os registros, com mais de 22 mil novos casos por ano entre mulheres de até 50 anos — um aumento de 45% em uma década.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) esclareceu que parte do crescimento nos números pode estar relacionado à melhoria na captação de dados desde 2019, com a adoção de novas regras no sistema DataSUS. Segundo o órgão, isso não necessariamente representa um aumento real na incidência da doença, embora o alerta sobre o avanço entre jovens permaneça.
A operadora de caixa Jaqueline Chagas, hoje com 46 anos, descobriu aos 36 que o nódulo em seu seio — antes considerado benigno — era, na verdade, um carcinoma grau 3. “Dava para sentir o caroço no abraço”, relembra. O diagnóstico veio após uma mamografia de urgência. “A médica olhou para a colega e disse: ‘Mais uma jovem com câncer de mama, essa é a terceira hoje’.”
Jaqueline enfrentou oito sessões de quimioterapia, uma mastectomia radical e complicações graves, como neutropenia e sepse. “Disseram ao meu marido que eu tinha poucos dias de vida. Achei que não voltaria para casa. Mas os leucócitos começaram a reagir”, conta.
A estimativa mais recente do Inca aponta que o Brasil deve registrar cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano. Entre os principais tipos estão os de mama feminina (99 mil), cólon e reto (71 mil), pulmão (32 mil) e próstata (31 mil). No entanto, os dados disponíveis se referem apenas ao SUS — não há informações consolidadas sobre os atendimentos na saúde suplementar.
O aumento de diagnósticos em adultos jovens exige atenção redobrada para estratégias de prevenção, rastreamento precoce e ampliação do acesso ao tratamento. Especialistas alertam que, com o avanço das terapias, o câncer pode se tornar uma doença crônica controlável — desde que detectado a tempo.
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