Microplásticos são identificados em tecidos gestacionais pela primeira vez na América Latina

Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em colaboração com a University of Hawai’i at Mānoa, descobriram microplásticos em tecidos gestacionais de mulheres atendidas pelo SUS em Maceió. É a primeira vez que esse tipo de contaminação é registrado em humanos no Brasil e em países latino-americanos.
O levantamento, publicado na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências, analisou amostras de tecido de dez gestantes dos hospitais Professor Alberto Antunes e Dra. Nise da Silveira, utilizando a técnica Micro-Raman, altamente precisa na identificação de micropartículas. No total, foram encontradas 229 partículas — 110 nas placentas e 119 nos cordões umbilicais. Em oito dos dez casos, o cordão apresentou maior concentração, indicando que as micropartículas podem atravessar a barreira placentária e chegar ao feto.
Entre os materiais identificados estão o polietileno, utilizado em embalagens plásticas, e a poliamida, presente em tecidos sintéticos. A presença de menos aditivos químicos em comparação com estudos similares em outros países foi atribuída a fatores ambientais e hábitos locais, como o consumo elevado de frutos do mar, já associado à ingestão de microplásticos.
Segundo os autores, a quantidade real de partículas por órgão pode ser muito maior, já que apenas frações dos tecidos foram analisadas. A pesquisa alerta ainda para o impacto da poluição urbana: cerca de 75% do lixo recolhido na orla de Maceió é formado por plásticos descartáveis. A falta de acesso à água potável também foi apontada como fator de risco, devido ao uso frequente de água engarrafada, que pode liberar micropartículas, sobretudo quando exposta ao calor.
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