Pessoas em situação de rua são retiradas de viaduto em Caruaru e plantas são colocadas no espaço

Quem passa pelo viaduto Doutor Galvão Cavalcante, no bairro Indianópolis, em Caruaru, notou a recente colocação de vasos de plantas no local anteriormente ocupado por pessoas em situação de rua. Onde antes havia colchões, móveis e barracas, agora se veem plantas decorativas. Esse tipo de intervenção levanta a questão da “arquitetura hostil,” uma estratégia de design urbano que visa controlar ou evitar certos comportamentos.
Rodrigo Lucas, arquiteto e urbanista, explica: “A arquitetura hostil é contraditória, pois a arquitetura deve ser abrigo e aconchego. Aqui, vemos uma intervenção que repele as pessoas, dificultando a mobilidade e agravando problemas sociais como a falta de moradia.” Exemplos dessa prática não são novos. O Recife foi a primeira capital do Brasil a sancionar uma lei proibindo a arquitetura hostil, que ganhou destaque com a luta do padre Júlio Lancelotti em São Paulo, em 2022.

Para Rodrigo Lucas, tais intervenções são um retrocesso na busca por cidades mais inclusivas e acolhedoras. “Em vez de resolver o problema, essas medidas apenas deslocam as pessoas para outros locais, exacerbando a exclusão social.”
A Prefeitura de Caruaru, por meio da URB, informou em nota que está realizando ações de requalificação e paisagismo em diversos viadutos da cidade, mas a Secretaria de Assistência Social ainda não esclareceu para onde foram levadas as pessoas que antes ocupavam esses espaços.
Confira a entrevista completa no nosso canal no Youtube.
[instagram-feed feed=1]
