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Entrevista

Pessoas em situação de rua são retiradas de viaduto em Caruaru e plantas são colocadas no espaço


  • 10 de março de 2025 às 13h00min

Intervenção urbana traz à tona debate sobre arquitetura hostil e o destino dos desabrigados. (Foto: Reportagem Rádio Cidade)

Quem passa pelo viaduto Doutor Galvão Cavalcante, no bairro Indianópolis, em Caruaru, notou a recente colocação de vasos de plantas no local anteriormente ocupado por pessoas em situação de rua. Onde antes havia colchões, móveis e barracas, agora se veem plantas decorativas. Esse tipo de intervenção levanta a questão da “arquitetura hostil,” uma estratégia de design urbano que visa controlar ou evitar certos comportamentos.

Rodrigo Lucas, arquiteto e urbanista, explica: “A arquitetura hostil é contraditória, pois a arquitetura deve ser abrigo e aconchego. Aqui, vemos uma intervenção que repele as pessoas, dificultando a mobilidade e agravando problemas sociais como a falta de moradia.” Exemplos dessa prática não são novos. O Recife foi a primeira capital do Brasil a sancionar uma lei proibindo a arquitetura hostil, que ganhou destaque com a luta do padre Júlio Lancelotti em São Paulo, em 2022.

“Em vez de resolver o problema, essas medidas apenas deslocam as pessoas para outros locais, exacerbando a exclusão social.” (Foto: Reportagem Rádio Cidade)

Para Rodrigo Lucas, tais intervenções são um retrocesso na busca por cidades mais inclusivas e acolhedoras. “Em vez de resolver o problema, essas medidas apenas deslocam as pessoas para outros locais, exacerbando a exclusão social.”

A Prefeitura de Caruaru, por meio da URB, informou em nota que está realizando ações de requalificação e paisagismo em diversos viadutos da cidade, mas a Secretaria de Assistência Social ainda não esclareceu para onde foram levadas as pessoas que antes ocupavam esses espaços.

Confira a entrevista completa no nosso canal no Youtube.


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